Hoje vim duplicado: me transformo em outro a cada minuto de melhora da febre. Volto a ser aquele incrédulo pessimista esperançoso de sempre. Agora só a garganta arranha.
Sai de casa apressado e me esqueci de contas a pagar. Aposto que eles não se esqueceriam de cobrar as multas. Tive que sair do ponto com aquele sentimento de que o buzão iria passar no minuto que eu virasse a esquina. Parei de pensar nisso e voltei num passo desanimado e moribundo.
Tudo isso culminou num atraso desnecessário obrigatório. Vim sentado com um umbigo gordo grudado em minha orelha. Um grupo de suburbanas falava alto como pivetas na praça da estação.
Reparem que tirei a barba a pedido dela. me sinto meio nú mas vou me recompondo ao longo do tempo.
Camisa vermelha coladinha (perdi uns 2 quilos com a febre) e me aventurei a colocar algo tipo "mamãe-sou-forte". Trouxe um boné para dar um tempo em meu penteado. Cansei dele. Vou tentar depois algo menos almofadinha. Casaco preto por cima para me precaver dos calafrios típicos febris.
Frase e cena do dia: No meio do tumulto do buzu, uma das suburbanas gritou: ó a suruba aqui.
Música do dia: Melô do 1 real. me esqueci quem canta.

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