17 de novembro de 2010




Hoje vim apavorado.
Lá do nonagésimo oitavo andar mal eu conseguia ver os carros. Muito menos as pessoas. Todas as linhas de fuga fogiam de mim em direção ao infinito que terminava no asfalto e nos telhados das casas.
A tábua que eu estava sentado era solta em ambas as pontas. Da largura de, no máximo, 2 palmos. Ventava muito e isso me dava vertigens típicas de homens virgens. Eu não, sou de gêmeos.
Minha mãe e a Clara voavam sem medo, por perto, tentando me passar alguma segurança. Em vão. Eu tremia de medo e frio por causa dos ventos típicos da estratosfera.
Fiquei horas balançando e me perguntando: Como eu vim parar aqui?
O fato é que a resposta não mudava o cagaço. Estava, praticamente, numa cadeira de balanço há trocentos metros de altura. E, eu nem sabia voar.
Acredito que minha mãe tenha encontrado os paraquedas que utilizei, voando sem destino. Eles não vinham com mochila e por isso, tive que me agarrar forte às cordinhas soltas.
Agarrei minha mãe e a Clara e pulei quase que para um suicídio. Só me lembro do toque de minha botinha "buddypoke" num telhado de amianto de uma casa humilde que era vizinha do arranha-céu. Entramos igualzinho ao papai noel, só que sem chaminé.
Aterrisei suave, mas estou tremendo até agora.
Depois desse sonho, não me lembro de mais nada que acontecera a caminho da Intra.
Vim de camisa coringa, literalmente. O casaco azul reforça a cor dos meus olhos que refletem o cinza chumbo das nuvens carregadas de lágrimas de crocodilo dundee.


Frase do dia: Madeira!
Música do dia: Vamos pular! Vamos pular! Vamos pular! Banda pop dos anos 80: Sandy e Júnior
Cena do dia: Ver minha mãe e minha filha nadando no ar sem engolirem a água da chuva.

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