24 de março de 2011



Hoje vim des culpado.
Uma foto como aquela de ontem não podia ter saído assim tão espontaneamente. Brincar com certos signos culturais é um caminho certo para se destacar, positiva ou negativamente.
Com a liberdade de expressão, porém, não funciona muito bem assim. Nela, reside a brincadeira com tudo. A ironia crítica sobre o mesmo.
Existe uma diferença entre o ser e a imagem deste ser.

23 de março de 2011


Hoje vim Claptomaníaco.
Sim, é ele! Eric Clapton em carne, osso e óculos.
Me assustei com a nova contratação da Intra. Não é todo dia que o grande pop star Eric Clapton é chamado para ser diretor de criação da agência em que se trabalha.
Fazendo uma homenagem literal ao grande sucesso Cocaine, depois de milhões de argumentos midiáticos, consigo convencer o astro a posar para uma foto comigo. É que eu sou muito fã do cara e não podia deixar de registrar tamanho acontecimento interno.
Lembro-me, inclusive,  de ter ido em um show dele na década de 80 no Mineirinho.  Perguntei para o astro e ele não lembra de mim na platéia. Esnobe como todo artista sessentão. Ou será setentão?
Agradeço à nota de 20, ao mouse pad preto e ao acúcar cristal que fizeram parte da cena.
Quem sabe amanhâ, não me aparece o Bob Marley para uma outra foto épica.


Música do dia: Cocaine / ao vivo
Cena do dia: embassada e ofuscante graças ao dilata pupila ministrado na hora do almoço. Em breve um novo look pessoal será adotado. Mudar é preciso. Ainda mais quando se ganha meio-ponto de astigmatismo em cada olho.
Frase do dia: Eric Clapton, você é meu Guitar Hero! Toca Raul.

18 de março de 2011




Hoje vim Vivo, vivinho.
Quem é designer vai ficar vivinho, quem for insecto vai morrer!
Meu dia se resume a:
1 hora de deslocamento
15 horas de atividades pseudo-intelectuais
5 horas de sono profundo conturbado com ideias, feelings, achismos e fritações emocionais.

Já os robôs não. Ficam quietos, pouco falam com a voz digitalizada e não sentem nada a não ser curto-circuitos ou reboots na placa-mãe.
Descobri o segredo do fracasso da miséria que se encontram meus penteados matutinos. Meu capacete funciona como uma toca tosca.
Acordo, tomo banho, lavo a belosca e pum! Boto a melancia preta para abafar a capilaridade. O resultado é essa mazela explícita diária. Só fico gato aos domingos. Mas, nem saio para exibir-me. Fico com o Faustão, com o Zeca Camargo e com o Bial. Suicídio sócio-intelectual voluntário.

Trânsito lotado, motoristas mal educados e buracos do tamanho exato das rodas da Intruder.
Andar de moto é tranquilo, o trânsito é o dificultador. Penso em me mudar para pasárgada, nesse país lugar melhor não há.
Ouvir a algazarra dos pintassilgos, sentir o orvalho nas pétalas do capim gordura, comer a gordura da vacas que comem o capim-gordura e engordar ao som do sobe e desce do sol na tela chamada céu. Bucolismo e alcoolismo tendem a se misturar na cntp.

Música do dia: Eu tava triste, tristinho… / Telegrama / Zeca Baleiro.
Frase do dia: "Caloba, o remédio fitoterápico que não deixa a gripe chegar."
Cena do dia: Me lembrar que agora eu tenho um celular touch do tamanho de uma borracha Faber-Castell.

16 de março de 2011




Hoje vim realizado.
Andar de moto com o tempo bom e a pista vazia é tudo que um motoqueiro iniciante precisa para ser feliz.
Consegui sentir o ventinho matutino entrar pelas mangas de meu agasalho e passear gelado pelo braço até a região suvacal.
Não me estressei com nenhum motorista filhodaputa sem mãe e ainda cheguei na agência a tempo de me encontrar com todos no halo do elevador.
Peguei um caminho alternativo, cheguei por outras ruas para estimular meu lado direito (de quem vem) do cérebro.
Resolvi não passar gel em minha cabeleira para ver se algo muda para melhor em meu semblante.
Minha mãe disse que estou com cara de sono. Eu sinto que estou com sono. Minha cama reclamou comigo pela ausência em tempo regulamentar.
Meu chuveiro chorou lágrimas de crocodilo ao me ver chegar tão cedo e tão atrasado.
O pão na chapa se endureceu com a demora. E o café já desistiu de ser tomado por inteiro. A cadeira da mesa se sente leve sem o peso da minha bunda contemplativa do sabor da cafeína e o portão emperrado insiste em me prender em casa por mais alguns segundos.
É, tenho corrido contra o tempo sabendo que ele não pára.
Talvez eu devesse parar e correr no sentido contrário para encontrá-lo vindo em minha direção. Tenho pensado nisso.



Cena do dia: Aspirante de madame aos 20 e poucos anos, se maquiando em frente ao espelho iluminado interno de um Mini Cooper S.

Frase do dia: o tempo não pára.
Música do dia: o tempo não pára / Cazuza.

15 de março de 2011




Hoje vim automatizado.
Nem me vi vindo. Nem notei como a vida é boa.
A ausência não substitui o vazio.
O nada significa tanta coisa.



Cena do dia: Emparelhar a intrusa do lado de um fusquinha super conservado placa preta e ler o adesivo: Não Vendo.

Frase do dia: Não vendo.

14 de março de 2011




Hoje vim deitado...
... no chão da rodoviária.
Nada como um cambão no saguão da rodoviária às 6 da matina para despertar a adrenalina mofada de minhas entranhas estranhas.
Um estabaco suave, aparado pela mão dela e pela gorducha e inusitada mala Lollypop.
Levantei, sacudi o molhado e nem olhei para o lado.
Tratei a situação como normal, tipo um flash mob solitário não intencional pecaminoso.
Marcado pela plástica dos movimentos, o tombo se deu quase que em câmera lenta, as imagens subitamente borradas e uma aterrisagem macia tipo as dos võos da TAM.
O maior inconveniente foi o chacoalho de sentimentos. Misturou tudo dentro de mim. Algumas ideias foram para o intestino delgado e logo viraram uso capeão. Outras, desceram pelo diafragma directo para meus pulmões. Respiro estratégias para continuar a respirar sem a ajuda de aparelhos ortodônticos.
Falta uma semana para o sorriso metálico voltar a ser branco.
O blog será o terceiro a saber. Primeiro ele, o dentista, segundo eu em frente ao espelho.

Música do dia: Cuida bem de mim / Dalto (pronto parei)
Detesto essa minha cultura ecléctica inútil.

10 de março de 2011


Hoje vim decepcionado.

4 de março de 2011





Hoje vim com a franja por fazer.
Sei que estou ausente desde o começo da semana.
Encontro dificuldades em conciliar minha vida promíscua de designer frustrado com a promissora carreira acadêmica mal remunerada de artista.
Pintar um quadro? mas sem cliente para bombar? isso existe?
Receio um tilt criativo.
Procuro o vazio, o ócio não criativo, a cervegelada no freezer. O freezer é livrezer?
Nessa semana, peguei chuva, comi uns 6 pães de queijo, 2 toddynhos e muita bala de maçã verde.
Procuro nela cometer o pecado da gula.
Me sinto como um helicóptero tentando estacionar. Turbulento. Turbo lento?
Hiperlink para uma twittada oportuna.
Hoje rasgo a estrada até Diamantina.
Carnaval sambado enlatado de skol.
Camping com chuva só para mostrar que não sou de açúcar. Apesar da minha doçura máscula e redondamente enganada.
Preciso desenhar mais, clicar mais, ganhar mais e correr menos.
Meu relógio tem cobrado muito de mim.
Minha vontade é parar agora de teclar, sair por aquela porta à minha direita de quem vem, clicar no elevador, e dar um download até o térreo, onde se encontra meu delorean que será capaz de me levar para o futuro perdido dos ponteiros do meu relógio.
Só assim ganharei tempo para atualizar esse diário semanal.

Cena do dia: cortar a savassi umas 4 vezes só para adiantar todos meus afazeres
Frase do dia: a squeeze que a gente dá aqui no banco é só para quem faz o título de capitalização. Elas são contadas.
Música do dia: faixa 14 do CD usuário / planet hemp