Hoje vim realizado.
Andar de moto com o tempo bom e a pista vazia é tudo que um motoqueiro iniciante precisa para ser feliz.
Consegui sentir o ventinho matutino entrar pelas mangas de meu agasalho e passear gelado pelo braço até a região suvacal.
Não me estressei com nenhum motorista filhodaputa sem mãe e ainda cheguei na agência a tempo de me encontrar com todos no halo do elevador.
Peguei um caminho alternativo, cheguei por outras ruas para estimular meu lado direito (de quem vem) do cérebro.
Resolvi não passar gel em minha cabeleira para ver se algo muda para melhor em meu semblante.
Minha mãe disse que estou com cara de sono. Eu sinto que estou com sono. Minha cama reclamou comigo pela ausência em tempo regulamentar.
Meu chuveiro chorou lágrimas de crocodilo ao me ver chegar tão cedo e tão atrasado.
O pão na chapa se endureceu com a demora. E o café já desistiu de ser tomado por inteiro. A cadeira da mesa se sente leve sem o peso da minha bunda contemplativa do sabor da cafeína e o portão emperrado insiste em me prender em casa por mais alguns segundos.
É, tenho corrido contra o tempo sabendo que ele não pára.
Talvez eu devesse parar e correr no sentido contrário para encontrá-lo vindo em minha direção. Tenho pensado nisso.
Cena do dia: Aspirante de madame aos 20 e poucos anos, se maquiando em frente ao espelho iluminado interno de um Mini Cooper S.
Frase do dia: o tempo não pára.
Música do dia: o tempo não pára / Cazuza.

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