28 de abril de 2011




Hoje vim presenteado.

O mundo tem cura. As pessoas podem ser boas. Poucas e boas.
Acreditem, ganhei uma camisa social de qualidade da pessoa que me fez cair da moto.
Uma gentileza nunca antes vista em nenhum incidente de trânsito.

Isso me fez voltar a acreditar na bondade. Pelo menos até a próxima ocorrência ingrata.

Exemplo maior foi a chapuletada que tomei no pará-choque do tubarão baleia no ano passado. Demorei 4 meses para resolver a situação e ainda assim tive que praticamente ameaçar o caboclo via telefone e sms. A tecnologia ajuda nessas ameaças.

27 de abril de 2011


Hoje vim largado.
Cansei de ser sexy. Vim do jeito que o diabo gosta.
Nem mochila eu carreguei.
Lei do menor esforço.
dia bobo. empurrado.
atitude foda-se.
e se eu fosse eu mesmo?
estaria aqui? gastaria tudo e ainda assim sobreviveria com a ideia de ter menos que a maioria?
e se os indigentes fossem os sábios que nos observam? com o poder da invisibilidade eles vão onde querem, exercem poder sobre os protegidos do dinheiro. dormem na rua em paz e seguros.
e se você fosse você mesmo?

25 de abril de 2011



Hoje vim mal humorado.
Desaprendi a acordar num momento não natural de minha manha, desaprendi a trabalhar e usar a criatividade ao meu favor. Desaprendi a sarar de uma ressaca antiga. Desaprendi a viver de acordo com a sociedade. Desaprendi a não ter ninguém para contar meus sonhos. Nem sei porque estamos aqui e agora.
BH volta a ser o inferno de outrora. Milhões de carros, motoristas sonolentos e com cara de volta ao batidão. Barulho, fumaça, sol rachando e a corrida desleal contra o relógio que nunca para de trabalhar.
Não reconheço a páscoa. Não compro chocolate. Não deixo de comer carne nem mesmo penso no significado disso tudo. Respeito quem se encaixa nesse script e que acredita que realmente é um momento divino. Talvez a paz esteja nas ruas vazias e no silêncio do dia sem os monstrocarros.
Quisera eu que todas as pontes tivessem caído e jamais fossem reconstruídas. Sugiro que se instaure em Guarapari a colônia penal de BH. Todos que se foram jamais voltem para povoar nossas Savassis e Cristianos Machados.
E que os sitios de feriado se cerquem de mata-burros.

Enfim, o problema do mundo são seus moradores.


Frase do dia: Compro ilha barata longe de tudo e de todos. Tem que ter rede elétrica, saneamento completo, vista para a linha do horizonte e não constar no Google Earth. Pagarei capinando a ilha e construindo uma chopana com folhas de bananeira. Urgente! Estudo troca por celular, relógio, carro e moto.

Música do dia: Hotel Califórnia.


20 de abril de 2011



Hoje vim realizado.
Quebrei o encanto. Tomei chá de quebranto. Acaba-se um pranto. Ainda falta um tanto. Eu sei.
Tirei a intrusa da poeira, sacudi o bauletto e dei uma acelerada por cima.
Uma coisa é certa, voltei a andar de moto de outra maneira. Mais ciente dos perigos inimagináveis, mais tranquilo e muito mais atento.
Ai de quem abrir a porta de um carro na minha frente. Vou enfiar minha buzina tímpano adentro até estourar a labirintite do responsável. #prontofalei. #ficadica
Vim mais leve, louco para a tal da semana santa chegar. Querendo aquele sono extra que me é roubado diariamente. Babar no travesseiro, jogar o cobertor no chão e me espreguiçar umas 20 vezes antes de abrir os olhos. Aposto que você aí bocejou.
Quero cultura, da pura. Da não chata, da que se consome com os olhos e ouvidos. Quero arte, faz parte. Sair da mediocridade e voltar para ela com outros olhos.
O mundo está mudado. Gays se beijam nas esquinas, mendigos dormem na portaria dos prédios, postos cobram 3 reais o litro da gasolina.
Estou querendo praia, mato, vento, água, coca, cerva, cama, colo, beijo, olhar, chuveiro, chão, bike, moto, mão e, principalmente, SILÊNCIO.


Frase do dia: "Quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente." By Defiinições de amor por crianças - Programa do Jô.
Música do dia: You could be mine - guns n' roses

19 de abril de 2011



Hoje vim recompensado.
Ralei, dormi tarde, empaquei criativamente, mas valeu a pena.
Os resultados visuais me agradaram bastante e o chocolate e a camisa ganhos de surpresa são reconhecimentos muito estimulantes.
Quem me dera fosse sempre assim.
Nessas horas parece que tudo vale a pena né? Mas, eu não me engano. Logo, logo vem uma bomba para me trazer de volta para o mundo real.
Pessimismo é a prática do realismo generalizado.
Meu machucado vem se comportando bem. A recuperação demorou exato 1 semana. Hoje já não mais manco, mas o roxo está lá: amarelado e azul. Talvez eu mostre-o para meu professor de Estudo da Cor. Assim, quem sabe, eu consiga provar que o roxo é formado por amarelo, cyan, magenta e dor ao pisar.

Sigla do dia: EBITDA (Earnings before interests, taxes, depreciation and amortization)
Ou seja, o que vc é capaz de ganhar antes que alguém meta a mão no seu din din.
Meu EBITDA é alto mas o meu OBTIDO é ridículo.

18 de abril de 2011


Hoje vim cansado.
Fim de semana acaba e a exaustão domina meu corpo.
A pancada na perna começa a dar sinais de melhora. Percebi que a bolsa de gelo ainda é um bom método de cura.
Vou tentar colocar sobre o meu coração. Das duas uma, ou ele para de doer ou ele para de bater.
Morrer e deixar para trás o sofrimento não me parece uma boa ideia, apesar de ser uma solução.
Semana santa chegando e o capeta dando as caras e os toques.
Estudo tudo para desviar a minha atenção.
Concentrar-me nas conquistas pessoais e dividir com quem? Com meu alter ego?
Sei lá, meu pleno ainda é metade de algo intangível.
Hoje esqueci até de por o faixa azul. Tomara que o acaso me proteja enquanto eu estiver distraído.
Tomei pancada, tomei picada e tomei cortada. Tudo na mesma semana.
Difícil é renascer das cinzas feito uma guimba de cigarro babado.
Mas, não tem nada não, tenho o meu violão.
Me sinto bonito apesar do espelho.

Frase do dia: tô gostano di vê cêis trabaiano.

13 de abril de 2011



Hoje vim mancando.
Após longos alongamentos ainda sinto o incômodo do tostão levado pela porta do Honda Fiat.
Tenho vindo de carro para dar um tempo aos meus músculos da perna.
De carro tem vaga, mas tem faixa azul. Tem ar condicionado, mas tem gasolina. Tem segurança, mas tem insegurança. Tem conforto, mas não tem mobilidade.
Na vida tudo é assim. Dá com uma mão e tira com a outra. Às vezes tira até com a mesma.
O susto serviu de freio. O tempo que corra e se esbugalhe lá na frente.
Vim ao mundo à passeio.
Tentei fugir disso a vida toda para parecer ser melhor.
Mas, me sentiria melhor se eu não precisasse parecer ser melhor.

Frase do dia: Slow down, take a breath.
Cena do dia: Boas notícias intragencianas.
Música do dia: Blue Savannah Song, Erasure.

11 de abril de 2011




Hoje vim estatelado.
Aconteceu. Devagarzinho, quase em câmera lenta.
Ao tentar chegar calmamente no sinal de trânsito, eis que aquela porta do Honda FIT abre de supetão. Crianças querendo logo chegar ao Minas Tênis 1.
Natural de quem faz natação de 9 as 10.
Graças ao meu corpo fechado e meu zíper aberto, nada de pior aconteceu.
Minha camisa rasgou e ficou style, minha coxa tomou uma pancadinha tipo um tostão de futebol e minha seta, ah! a minha seta. Essa sim se machucou e soltou a capinha.
Como sou optimista, vi o tombo como uma lição: A porta também é inimiga da moto. Mais um elemento para ficar atento.
Sou um motorneiro novato, mas com muita bagagem de bicicleta.
Acredito que sei me posicionar na via seguindo essa experiência anterior. Sigo as leis como um nerd e ainda assim a sociedade insiste em me atropelar vestido.
Agora apelei, serei um super nerd, farei um campo de força energético e me verei livre de todos esses males.
A adrenalina ainda corre pelas minhas veias com pressa. Não se importando com o limite de velocidade. Quem sabe assim mudo de vida e vou me embora para Pasárgada andar a cavalo.

Estou bem. Bem mais esperto.

4 de abril de 2011








Hoje vim desatualizado.
Sei lá, sem nada para falar.
Sei cá, muito menos para declarar.
Nada além do imposto de renda. De isento não tenho nada. Tento.
Vida corrida, vida bandida.
Óculos novos. Alguém reparou?
Em breve, novas instalações.
O mundo mundano. O índio indiano. A boneca de pano.
O trânsito intransitável, a arte intangível e o consumismo anestésico.
Chamem o cínico. Consultem um clínico. Peçam pinico.
Estou atrasado, no tempo e no espaço.