19 de janeiro de 2012

Hoje vim surecado



Foi dolorosa a despedida.
A feiura de outrora havia me encurralado e eu não tive como evitar.
Foi como se estivessem arrancando uma parte de mim.
Os farelos espatifados na camisa e no chão não deixavam dúvidas: eu tinha mesmo cortado o cabelo.
Um corte jovem, despojado, com pontas que insistem em se arrebitar não importando o quanto de gel elas carreguem.
Quem é mais rebelde, eu ou o meu cabelo?
Fios longos foram encurtados, o "mullets" foi esquartejado friamente e seus restos mortais foram para o lixo.
Agora minhas raízes ganham força, há menos gasto de shampoo de jojoba, o rosto fica mais exposto às agruras da sociedade capitalista e eu me sinto novamente integrado ao padrão de cortes de cabelo mineiro. Prego que se destaca toma martelada.

Espero que as fâs de todo o meu Brasil aprovem a mudança. Fiz isso por vocês.
Quero também agradecer a Deus por ter me deixado cortar o cabelo.


Música do dia: Meu cabelo liso é assim, cabelo liso, de caucasianin.
Cena do dia: Ver os restos mortais de minha cabeleira espalhados pelo chão e serem pisoteadas pelo cabeleireiro que me chamou várias vezes de djow.
Frase do dia: Uma tesourada e pronto! Seu cabelo agora é outro.

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