3 de fevereiro de 2012

Hoje vim noiado




O que é pior do que o volta às aulas? hein, hein, hein?
Tá bom, eu falo. Pior do que o volta às aulas 2012 é ir ao shopping Oi no sol escaldante e ter que estacionar uns 6 quarteirões de distância para economizar 6 reais.
O shopping Oi é mais ou menos o Orkut das velhas mídias.
Lá se vê todo o tipo de mazela humana. Vendedores assistindo DVD's, mesas com relógios de 30 reais que se parecem pixels dada a quantidade disposta num espaço de 1,50 x 0,80m.
É o mais próximo da overdose de consumo que um homo sapiens mesozóico pode chegar.
Chega-se lá preparado para uma guerra. Braços enrolados nas alças das mochilas como se carregássemos um fuzil. Olho no olho dos inimigos, quero dizer, de todos à sua volta. Se você sobre de claustrofobia ou cleptomania é desaconselhável visitar os corredores sem a supervisão de um responsável. A tática é levar 50 reais em notas míudas não sequenciais no bolso e um cofrinho para guardar as moedas de troco.
Sugiro psicólogos nas saídas e câmaras de descompressão tocando mantras em cabines à prova de som e paredes de cores pálidas para evitar o queimamento da retina. Corre-se o risco de uma lesão irreversível nos termos tecnológicos. Você tem ipod da Pucca? PSP3 com kinnect de 4 bocas USB? Esse relógio é da Nintendo? Tem wi-fi zone? É nacional da China? Tem garantia de quantos megapixels? Seu sorriso e real ou virtual? Ô vendedor, tá me ouvindo? Eu perguntei se você topa ir tomar no cú tranquilo, porra.
Pude notar que o local é realmente a maior colônia chinesa em Belo Horizonte fora do restaurante Muralha da China. Os cozinheiros que faziam yakisoba, tempurá e rolinho primavera perceberam que o negócio agora é pen drive de 16gb.
O mundo tem mais memória virtual do que conteúdo para se salvar nela. Carecemos de conteúdo relevante para rechear nossos gigas disponíveis. Se bem que devido à repetição alucinatória de conteúdos sem conteúdo, podemos sim estourar nossa capacidade de assimilação.


Cena do dia: ver um casal de chineses discutindo e rasgando o verbo mandarim em alto e bom som, com direito a chacoalhões um no outro. Chinês é igual a mosquito da dengue, gostam de banca parada sem clientes para se multiplicar com seu lindos sorrisos ortodônticos e sua simpatia globalizada.
A imagem do post foi tirada desse site que me simpatizei http://manualdoviajantesolitario.wordpress.com/
Música do dia: Qual é a graça, desgraça que há no sorriso do banguela / Zeca Baleiro.
Frase do dia: O porteiro do estacionamento de motos da Rua Tupinambás chegou para mim e disse: E aí? Só no suco? (depois de muita explicação entendi que ali fora criado uma nova gíria que significa o mesmo que indagar se eu estou bem, relax, "de boaça".

Um comentário:

  1. Há um chinês numa banca do Oiapoque que já tem os olhos arregalados de tanto tentar ficar atento aos fregueses cleptomaníacos. A função fez o órgão. A funcionária brasileira vende, e ele se limita a fazer as continhas numa calculadora, e a espiar sem disfarce as ameaças de roubo. Nem sabe esconder o empenho. Muito pândego!

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